A aventura do sabor de hoje leva você a pratos do mais extenso país do mundo, que deve sua culinária a uma diversificada tradição popular
A viagem do presidente brasileiro à Rússia, em plena crise com a Ucrânia, rendeu diversos memes e farta análise política durante esta semana.
Polêmicas e piadas à parte, além de estar no país de maior extensão do planeta, que pratica uma diplomacia de alta combustão com as grandes potências, a comitiva do Brasil adentrou um território vasto também nos sabores e muito rico em sua tradição de transformar os alimentos em pratos inesquecivelmente gostosos.
Quer ver? Da surpreendente culinária da terra dos czares, duas saladas fáceis de preparar, e de custo acessível, casam bem com o clima seco e quente que costuma não dar trégua em todo Mato Grosso do Sul.
Além propriamente da salada russa, um clássico no menu de entrada que eles exportaram para o mundo, inclusive para o Brasil, você tem a oportunidade de experimentar a salada de pepino com creme Azedo, que leva “smetana” na receita.
SMETANA
Smetana nada mais é do que o creme de leite azedo. Muitos podem até substituir esse item, um dos mais tradicionais da cozinha russa, pelo creme de leite padrão. Mas basta acrescentar suco de limão, ricota e açúcar para conhecer o sabor original.
A smetana pode ser vista como um fator de integração nacional que passa pela boca, pois marca presença em todas as regiões de um país de dimensões continentais – mais de 17 milhões de quilômetros quadrados, o dobro do território brasileiro – banhado por dois oceanos, Pacífico e Ártico, e que se espalha do leste da Europa ao norte da Ásia.
Saladas, sopas, carnes, peixes. A smetana é onipresente em diferentes cardápios. E não pode faltar no “blini”, espécie de crepe russo, que, aliás, só perde em popularidade por lá para ela: a smetana.
“É apenas uma salada de pepino, mas um prato que não costuma faltar em nenhum ‘zakuski’ que se preze. Seu tempero reúne alguns dos aromas e dos sabores mais característicos da cozinha russa”, define o crítico Ignacio Medina, autor de mais de 80 livros sobre gastronomia.
ZAKUSKI
O zakuski é um momento de degustação que antecede o prato principal sem medo de roubar a cena.
Como uma rodada supercaprichada de entradas, que tem status próprio na mesa, o rito glutão ostenta uma variedade, e quantidades, de encher a pança, envolvendo, por exemplo, além dos blinis com smetana, criações à base de arenque, “pirozhki” (empanado típico), legumes e frutas em calda e conservas em vinagre.
E praticamente qualquer coisa que a criatividade pedir e o apetite deixar, inclusive os preparos com a mais nobre e controversa iguaria russa, o caviar.
O hábito desse verdadeiro banquete remonta à introdução dos mantimentos e costumes orientais na Rússia, por volta de 1.000 anos atrás, durante o reinado de Vladimir, o Grande, primeiro monarca russo a se converter ao cristianismo.
Em determinadas ocasiões, escreve Medina, os zakuski assumem a versão de um festival de pães, com até 12 tipos diferentes, que são devidamente acompanhados de vodca durante a refeição.
O CHEF E O REI
Segundo o crítico espanhol, o amplo universo de produtos dos zakuski foi se constituindo conforme a dinastia que estava no poder e sua correspondente adesão a uma corrente culinária.
Ou seja, era o gosto do czar e de sua corte que determinava, além de tudo mais, o tipo de comida que chegava à mesa.
A smetana, as carnes e os peixes defumados foram introduzidos pela dinastia dos Riurikovich, de origem escadinava, que governou do ano de 862 a 1598. Ivan, o Terrível (1530-1584), tinha gosto afinado com o paladar da nobreza.
Já Pedro, o Grande (1672-1725), foi notadamente um apreciador da cozinha francesa, que deu uma contribuição destacada ao que se tornaria a culinária russa, sendo os chefs franceses radicados no país os responsáveis por pratos hoje consagrados do cardápio russo, a exemplo do estrogonofe e da salada Olivier.
É esse o nome oficial da mundialmente popular salada russa, desde que mantenha, no preparo, itens originais “de fábrica” como o aneto, espécie vegetal mais conhecida no Brasil por outros nomes – dill ou endro.
Como se trata de uma erva que não se encontra com tanta facilidade, a sugestão é substituí-la. Pode ser por erva-doce, tomilho, alecrim, estragão ou salsa, opção indicada para você experimentar.
“Olivier foi um cozinheiro francês que deixou, em finais do século 19, marca profunda na cozinha russa. Fundador de um dos grandes restaurantes moscovitas da época, o Ermitage, aberto em 1860, Olivier lançou ao mundo esta salada que tem um ar familiar, semelhante ao da ‘nossa’ salada russa”, apresenta a edição brasileira do volume de Ignacio Medina sobre a culinária russa, publicado pela Editora Moderna em 2006.
O livro sugere a inclusão de outros itens na salada russa, a exemplo de nabos cozidos, pepinos pequenos em conserva e, no lugar do frango, outra carne. Mas o melhor mesmo, como sempre, é começar pelo básico. Então comece. E bom apetite.
Salada de pepino com creme de leite azedo
Ingredientes
> 3 pepinos;
> 1 colher (café) de açúcar;
> 1 colher (sopa) de salsa picada;
> 1 colher (sopa) de vinagre de vinho branco;
> 1 colher (sopa) de pimenta-do-reino e sal;
> 220 ml de creme de leite;
> 75 g de requeijão;
> 50 g de ricota;
> 1 colher (chá) de açúcar;
> Suco de 2 limões.
MODO DE FAZER
Descasque os pepinos, corte em rodelas finas. Coloque em uma peneira, tempere e cubra em seguida, mantendo em repouso por 40 minutos. Branqueie com água fria e escorra. Reserve.
Prepare o creme de leite azedo (smetana) misturando todos os ingredientes na batedeira e juntando o suco dos limões no fim. Dissolva o açúcar no vinagre, acrescente a pimenta e junte essa mistura, pouco a pouco, ao creme de leite azedo, mexendo constantemente até dar liga ao creme.
Misture o creme com as rodelas de pepino, coloque-os em uma travessa, polvilhe a salsa e sirva.

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Salada russa
Ingredientes
> 2 peitos de frango cozidos;
> 6 batatas, 3 cenouras e 4 ovos cozidos;
> 3 colheres (sopa) de maionese;
> 200 g de ervilhas e 100 g de presunto cozido;
> 100 ml de creme de leite;
> 3 colheres (sopa) de alcaparras picadas;
> 1 colher (sopa) de salsa picada;
> 1 colher (sobremesa) de suco de limão e sal.
MODO DE FAZER
Cozinhe as batatas e as cenouras inteiras e com casca. Corte em cubos de 1 cm e reserve. Cozinhe as ervilhas em água e sal, de 5 a 10 minutos. Escorra e reserve.
Corte os peitos de frango, os ovos cozidos e o presunto em cubos do mesmo tamanho que as batatas. Mistures com as ervilhas e as cenouras. Reserve.
Misture o creme de leite com o suco de limão em uma vasilha. Em outro recipiente, misture a maionese com o creme de leite, a salsa e as alcaparras. Tempere a salada com este molho e coloque-a em uma travessa.
Decore o prato como preferir. Você pode forrar a travessa com folhas de alface e reservar um pouco do molho, antes de misturá-lo com a salada, para dar um toque final. Sirva o prato fresco.

Fotos: Divulgação
Fonte: Correio do Estado
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