5 jul 2021 às 10:04 hs
De produtos de higienização a diagnóstico barato: o que a ciência de MS desenvolveu contra a covid?

Pesquisas e estudos ganharam notoriedade e serviram de base para nortear ações de enfrentamento durante a pandemia

Pesquisa de mapeamento genômico da covid realizada na UFMS – Divulgação / UFMS

A pandemia do coronavírus parou o mundo e iniciou uma corrida frenética de cientistas por soluções para enfrentar o novo vírus causador da covid. Em Mato Grosso do Sul não foi diferente, centenas de projetos foram desenvolvidos e alguns estão em desenvolvimento ainda e abordam vários aspectos da ciência, que vão de desenvolvimento de produtos saneantes, substâncias para tratamento da infecção da covid e até formas de diagnóstico mais rápido e barato da doença.

O principal polo de pesquisa científica no Estado é a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), que desenvolveu 92 ações de enfrentamento à pandemia, sendo que 21 delas ainda estão em andamento.

A mais recente foi uma pesquisa de levantamento genômico da covid realizada por pesquisadores da UFMS, que apontou a presença da variante P.1 em 80% das amostras de sangue analisadas.

No campo de soluções tecnológicas, os estudos da UFMS abrangeram, por exemplo, pesquisa para a fabricação de produtos saneantes, como álcool glicerinado e soluções antissépticas, que suplementaram a demanda do HUMAP (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian), gerido pela instituição, e pela própria universidade.


Principal polo de pesquisas do Estado, UFMS desenvolveu 92 ações de enfrentamento à pandemia – Foto: Divulgação

Além disso, houve pesquisas para a preparação econômica e sustentável de novas substâncias com potencial para o tratamento da infecção por covid. “Foi estudado um método para diagnóstico rápido de Covid-19 para triagem de pacientes infectados, visando baixo custo no uso de insumos. Analisaram-se aspectos estruturais de proteínas não-estruturais de SARS-CoV-2, para clarear o entendimento da ação e função da proteína no processo de infecção e interação do vírus com o hospedeiro”, explicou a pró-reitora de pesquisa e pós-graduação da UFMS, Maria Lígia Macedo.

A universidade também trabalhou em estudos diversos de características clínico-epidemiológicas e fatores de risco para morbimortalidade na região Centro-Oeste e um na esfera psicossocial, em que foram avaliados sintomas de estresse, depressão e ansiedade em mulheres com filhos crianças e adolescentes durante a pandemia.

“Desenvolveram-se estudos tanto sobre aspectos do atendimento hospitalar quanto do mapeamento epidemiológico e previsão estatística do avanço da infecção. Foram analisados os impactos psicossociais da pandemia em profissionais da saúde e de outras áreas de enfrentamento, além daqueles decorrentes do distanciamento social. E, também, houve estudos sobre soluções para micro e pequenas empresas frente às medidas de distanciamento social. Promoveram-se eventos virtuais e cursos no canal da TV UFMS no Youtube, assim como pesquisas relacionadas ao ensino remoto e vivências culturais e de lazer a distância, com foco no uso de novas tecnologias de informação e comunicação”, pontuou Maria Lígia.

Destaque nacional

A UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) teve uma pesquisa selecionada em chamada de apoio a pesquisas em covid numa ação conjunta entre Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e Ministério da Saúde. O estudo é da docente da instituição, Simone Simionatto, que é bióloga e doutora em Biotecnologia.

Sob o título “Epidemiologia e evolução da infecção pelo SARS-CoV-2 na população indígena do Mato Grosso do Sul”, a proposta tem como objetivo estudar a dinâmica da transmissão do vírus entre a população indígena de Mato Grosso do Sul, buscando determinar seu período de incubação, o número de indivíduos que têm anticorpos contra o patógeno, a evolução imunológica da infecção, bem como os fatores de prognósticos para gravidade e óbito. Considerando a condição de vulnerabilidade dessa comunidade, o estudo permitirá identificar se os pacientes que tiveram a doença estarão protegidos em uma nova exposição ao vírus.


Professora Simone Simionatto com equipe de pesquisa durante atividade na Reserva Indígena de Dourados – Foto: Divulgação / UFGD

De acordo com a pesquisadora, essas informações poderão subsidiar estratégias de contenção da pandemia e a priorização de locais para intervenções por parte do poder público. Pela chamada, o projeto receberá financiamento no valor de R$ 881.711,50.

Mais produção regional

Pesquisa coordenada pela UFMS, que contou com apoio da Anhanguera e do Ministério da Saúde, avaliou a resposta imunológica do uso da Vitamina D, Zinco e ferro na covid em população de Campo Grande. O artigo já tem uma pré-publicação e passa por revisão para, logo, ser publicado oficialmente.

A pesquisa é coordenada pelo prof. Dr. Valter Aragão do Nascimento, do Grupo de Espectroscopia e Bioinformática aplicado à saúde da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, realizada pela prof.ª M.ª Eliza Miranda Ramos, com parceria com prof. Dr. Igor Domingos de Souza, da Anhanguera, prof. Dr. James Venturini, da UFMS, e pesquisador Emerson Araújo, do Ministério da Saúde.


Artigo pré-publicado de estudo coordenado pela UFMS com parceria da Anhanguera e Ministério da Saúde

O pesquisador e professor do Centro Universitário Anhanguera de Campo Grande, Igor Domingos de Souza, participou do estudo e avaliou como bom o cenário de pesquisas de MS. “Congruente com outras universidades no mundo”, enfatizou.

Fonte: Midiamax

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