28 set 2019 às 09:41 hs |
Defesas de dois presos em operação que investiga milícia pedem liberdade ao TJMS

Foto: Marcos Ermínio

Dos 19 presos durante Operação Ormetà, que apura existência de milícia em Campo Grande, dois já ingressaram com pedido de liberdade no TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). Os pedidos serão analisados pelo desembargador de plantão, Sideni Soncini Pimentel.

Conforme o sistema do TJMS, habeas corpus foram ingressados pedindo a liberdade de Eltom Pedro de Almeida e do advogado Alexandre Gonçalves Franzoloso. Eltom foi preso por força de mandado de prisão preventiva, já Alexandre está detido de forma temporária.

O pedido de liberdade do advogado Alexandre é assinado conjuntamente pelo presidente da OAB-MS (Ordem dos Advogados do Brasil), Elias Karmouche. A defesa sustenta que houve violação da prerrogativa de advogado.

Jornal Midiamax tentou contato com advogados de defesa do empresário Jamil Name e de Jamil Name Filho, no entanto, até a publicação da reportagem não houve retorno em relação a pedidos de liberdade ingressados pela defesa dos dois.

Detidos

Além dos empresários Jamil Name e Jamil Name Filho, outras 19 pessoas foram presas na Operação Ormetà, deflagrada nesta sexta-feira (27) em Campo Grande. Entre os presos estão policiais civis, guardas municipais e um policial federal aposentado. A operação desta sexta levou para as ruas equipes do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado) e Batalhão de Choque da Polícia Militar.

O policial civil Marcio Cavalcanti da Silva é um dos presos. Lotado na DGPC (Delegacia Geral de Polícia Civil) em Mato Grosso do Sul, ele recebe salário líquido de R$ 6.187,30 por mês. Frederico Maldonado Arruda também é servidor da DGPC, com remuneração mensal de R$ 5.978,75. Já o policial civil Vladenilson Daniel Olmedo é lotado na Ageprev (Agência de Previdência Social de Mato Grosso do Sul), com salário líquido de R$ 7.830,41.

Também estão na lista de presos, quatro guardas municipais. Alcinei Arantes da Silva, atuante desde agosto de 2011 com salário líquido de R$ 1.575,33; Rafael Carmo Peixoto Ribeiro está na Guarda desde dezembro de 2009 com remuneração de R$ 1.511,99; Igor Cunha de Souza atua na Guarda Municipal desde janeiro de 2011 e recebe R$ R$ 1.575,33; Eronaldo Vieira da Silva, servidor desde dezembro de 2009 com remuneração de R$ R$ 1.547,69 mensal.

O policial federal aposentado Everaldo Monteiro de Assis também foi preso durante a operação desta sexta. Ele já teria prestado depoimento para a polícia na época em que foi encontrado armamento avaliado em pelo menos R$ 200 mil, em maio deste ano. O arsenal estava em uma casa no bairro Monte Líbano e o guarda municipal Marcelo Rios foi preso durante as investigações.

O líder comunitário Rudney Machado Medeiros também está entre os presos. Em 2014, Medeiros foi um dos homenageados pela Câmara Municipal de Campo Grande, por conta de relevantes serviços prestados nas comunidades da Capital.

Arthur Cunha D’Alessio trabalha como segurança particular e responde a processo judicial. Em março deste ano, ele foi flagrado espancando um rapaz na rua Bom Pastor e responde pelos crimes de lesão corporal, resistência, desobediência e desacato. O processo corre no TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). Por último está Luis Fernando da Fonseca, que também responde na Justiça por porte ilegal de arma de fogo.

Operação Ormetà e execuções

A ação desenvolvida nesta sexta, contou com 17 equipes do Garras, Gaeco e Batalhão de Choque da PM. Foram cumpridos 44 mandados na Capital, sendo 13 de prisão preventiva, 10 de prisão temporária e 21 de busca e apreensão. Informações são de que os empresários Jamil Name e Jamil Name Filho seriam suspeitos de chefiar uma milícia envolvida com execuções em Campo Grande. A polícia apreendeu R$ 150 mil em posse do empresário Jamil Name.

Matheus Coutinho Xavier foi assassinado em frente à sua casa com 7 tiros de fuzil na cabeça, e na época de sua execução, no dia 9 de abril, foi levantado que a arma usada no crime poderia ter ligação com o armamento usado na execução de Ilson Figueiredo, que foi assassinado em junho de 2018.

O carro em que Ilson estava foi surpreendido, na avenida Guaicurus e alvejado por diversos tiros de arma de grosso calibre, entre elas, um fuzil. Aproximadamente 18 cápsulas foram recolhidas pela perícia no local. Depois de ser atingido, o veículo que ele dirigia bateu contra o muro de uma casa.

Os pistoleiros que executaram o chefe da segurança da Assembleia Legislativa usaram uma metralhadora e um fuzil AK-47 no crime. Encapuzados, vestindo preto e com coletes à prova de balas, os pistoleiros começaram a atirar contra o carro do policial aposentado uma quadra antes do local onde o carro parou. Nas imediações na Rua Piracanjuba, na região, o carro usado na execução de Ilson, um Fiat Toro, foi encontrado incendiado.

Também foi executado com armamento do mesmo calibre, Orlando da Silva Fernandes, 41 anos, conhecido como ‘Orlando Bomba’ executado com tiros de fuzil na cabeça, tórax, e braços em frente a uma barbearia.

Dois homens chegaram em uma Dodge Journey, desceram e executaram ele, que saía do local e ia em direção à sua camionete Hillux. Um outro homem em uma moto deu apoio para a execução. A polícia encontrou no local com a vítima três celulares intactos que estavam com ele, além de cheques e quantia em dinheiro. O crime aconteceu no dia 26 de novembro de 2018.

Fonte:Midiamax

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