13 set 2018 às 07:47 hs |
Apaixonado por mulher surda, Valdir se especializou em libras e virou intérprete

Foto: André de Abreu

A preocupação com o isolamento de um rapaz e a paixão por uma jovem com deficiência auditiva transformou a vida de Valdir Balbueno, 40 anos. Foi na década de 90, ao ver um aluno isolado durante o intervalo em uma escola com mais de 600 alunos, que Valdir começou a se interessar pelo mundo dos surdos.

 

“No ano de 1994 mudei para Campo Grande e, na escola onde eu estudava, eu descobri que tinha um surdo em uma das salas, que era uma sala especial. Na hora do intervalo eu observava que ele ficava sozinho, naquela época não tinha sala com professor regente e tradutor. Havia uma sala de alunos com deficiência. Tinha esse surdo que era aluno de uma professora que não era intérprete formada, mas foi contratada só para atendê-lo. Na hora do intervalo ela ia para a sala dos professores e ele ficava sozinho. Descobri que ele não falava e não ouvia, me senti incomodado ao ver ele sozinho em uma escola com mais de 600 pessoas”, relembra Valdir.

 

Após notar o amigo com deficiência, o cupido flechou o jovem ao se deparar com o pedido de ajuda de uma jovem surda. “Eu me apaixonei por uma surda. Eu não fui aluno de ninguém, peguei um livro que meu irmão tinha, decorei os sinais para tentar falar com ela. Eu vi que tinha talento porque ali tinha mais de três mil sinais. Namorei com ela um mês, ela me apresentou à comunidade surda. Ela eu conheci no trabalho, mas não sabia que ela era surda e ela chegou com o cartão que pedia ajuda. Quando li aquilo, eu pensei que precisava fazer algo, mas meu coração falou mais alto. Eu aprendi para me comunicar com ela. Quando fui para a igreja com meu irmão, eu encontrei ela lá. Eu tentei de tudo para conquistá-la”.

 

O namoro durou apenas um mês, mas a paixão por libras permanece. “Fui em vários locais de surdos, ela me levou no Ceada, os surdos se reuniam na Praça Ary Colho, fiquei fascinado por esse mundo silencioso. Namoramos um mês e percebi a diferença de mundo, ouvintes são muito diferentes de surdos. Tudo é diferente, a cultura, a identidade, é um processo diferenciado. Eu entendi que Deus usou ela como instrumento para que eu pudesse chegar na comunidade dos surdos e desenvolver o meu papel”.

 

Valdir foi além e, hoje, é conhecido na Capital por seu trabalho como professor tradutor e intérprete, “Eu cumpro meu papel, me completa, eu me sinto não apenas realizado, mas eu sou um elo de comunicação, de mediação entre surdos e ouvintes. Quando eu falo, eu vejo que os surdos ouvem. Eu sei que eu sou bilíngue, mas sou sujeito que oportunizo ao surdo a quebra do silêncio. Dou a ele por meio das minhas mãos, as ferramentas necessárias para ser como eu”.

 

Fonte:TopMidianews

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